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Um dos pais da bossa nova era negro e gay, conheça Johnny Alf

Pioneiro da bossa nova e autor canções inspiradoras, o cantor e pianista foi referência para músicos como Tom Jobim, mas morreu, há dez anos, esquecido pelo público


Foto: Eduardo Anizelli/Folha Imagem

“Genialf”, era assim como Tom Jobim o chamava, mas provavelmente o nome Johnny Alf não esteja entre os primeiros nomes que virão à sua cabeça quando assunto é bossa nova. Baden Powell, Vinícius de Moraes, João Gilberto e outros músicos tomaram a cena nas décadas de sucesso de um dos gêneros musicais brasileiros mais conhecidos em todo o mundo. O surpreendente é que, entre estes famosos personagens da bossa, o cantor e compositor é visto como inspiração e considerado um dos mestres do ritmo. Como pode ter sido quase que deletado Johnny Alf da história?


"O Johnny Alf é o precursor central. Ele influenciou todo mundo." (Carlos Lyra, cantor e compositor)

Pianista de formação erudita, Johnny Alf se apaixonou pelas canções do ídolo americano Cole Porter. O carioca, filho de uma empregada doméstica com um cabo do Exército, foi parceiro de Sérgio Mendes e Sylvia Telles nos anos 60, enquanto se apresentava na boemia do Rio e de São Paulo. Compôs clássicos da nossa cultura, como o "Eu e a brisa" e "Rapaz de bem".



No entanto, o compositor quase nunca esteve sob os holofotes. Sua timidez, aliada a uma elegância providencialmente discreta que ajudava a esconder sua homossexualidade, fez de Alf uma das figuras mais enigmáticas da música brasileira. “Ilusão à toa” foi lançada por ele em 1961. Ainda de forma subliminar, a música trata da sua experiência homossexual, e pela primeira vez na MPB, de uma maneira lírica.


Inspirado por questões centrais como: "seria Johnny mais reconhecido se fosse branco? Sua música estaria à sombra se não fosse LGBTQIA+? É possível honrar hoje a sua colaboração na arte?", que o músico Thiago Pach reuniu um time de peso para celebrar a obra desse grande nome esquecido da bossa nova. Juntam-se a ele: Aurea Martins, Rico Dalasam e Rodrigo França, para contar essa história e homenagear Johnny em um álbum de 10 faixas antes já compostas e interpretadas por Alf.



"Como cantor e compositor LGBTQIA+, é muito importante encontrar e reverenciar o legado de um artista tão importante para a música brasileira. É um aprendizado e uma honra repaginar a sua obra para um público jovem que possivelmente ainda não o conhece." (Thiago Pach)

Para conhecer mais sobre a história do de Johnny e colaborar com o crowfunding criado para financiar a produção do disco 'Thiago Pach canta Johnny Alf', acesse aqui.




Bônus de leitura:


A coluna da escritora e feminista negra, Joice Berth, para a revista Elle conta em 'A bossa nova e o medo branco', como mecanismos sutis do racismo acabaram apagando a paternidade de Johnny Alf na criação de um dos mais importantes movimentos musicais do país e vale muito à pena conferir.


1 comentário


Membro desconhecido
11 de jul. de 2021

A eugenia dentro da cultura musical era bem explícita, o que diria Agnaldo Timóteo...

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