30 de abril

dia internacional do jazz

Justin Bieber: 'Justice' faz mistura indigesta de pop romântico e falas de Martin Luther King

Justin lançou nesta sexta-feira (19) o tão aguardado álbum “Justice”, o sexto da carreira. Disponível em todas as plataformas digitais, o projeto conta com 16 faixas e inclui canções inéditas e colaborações especiais de nomes como Chance The Rapper, Benny Blanco, Burna Boy e entre outros



Justin Bieber anunciou "Justice", seu sexto álbum, com um texto sobre a "busca por justiça para a humanidade". Uma fala de Martin Luther King Jr. abre a primeira música, e depois ainda há outro discurso do líder da luta pelos direitos civis.


Mas a casca de ativismo social cobre o recheio de sempre, com pop romântico e drama individual. A relação entre a luta pelos direitos civis e as desventuras amorosas de Justin Bieber é um mistério que as 16 faixas em 45 minutos não esclarecem.


A mistura do álbum lançado nesta sexta (19) é tão indigesta que é difícil superar o choque para avaliar outros aspectos do álbum. Mas, já que o tema é "Justice", vamos ao tribunal. Aqui começamos com a defesa:


  • A boa produção, assinada por um time de nove nomes, incluindo Andrew Watt, vencedor do Grammy 2021, e Finneas, irmão de Billie Eillish. O R&B e o pop oitentista com brilho parecem uma versão matinê do último disco do The Weeknd, como na classuda "Deserve you".

  • Ótimos convidados. Além do time de produtores e autores, há "feats" com Chance The Rapper, Khalid, Daniel Caesar, Burna Boy e outros. Eles mandam tão bem que fica chato para Justin na comparação, mas ao menos são faixas boas.

  • O empenho de Justin em emular o melhor da música negra dos EUA - o gospel de "Holy" e a balada soul-pop "Peaches" dão até uma liga possível com os discursos de Luther King.

  • Há composições e até interpretações legais como "As I am", com Khalid, simples e dançante. Biber esboça autocrítica masculina, mas joga a salvação para a amada (meio "sertanejo arrependido"): "Você estava lá por mim quando fui egoísta / rezou por mim quando não tive fé".



Mas há defeitos fortes de acusação:


  • A tal desunião entre ativismo e romantismo teen. "2 Much" abre com a famosa frase “Injustiça em algum lugar é uma ameaça à justiça em todos os lugares” e cai para versinhos românticos pouco inspirados: "Amo o jeito que você ama sua mãe".

  • E piora. Há uma faixa inteira, “MLK interlude”, com um discurso de arrepiar de Luther King sobre a coragem de lutar por justiça. Aí vem “Die for you”, syntypop simpático sobre beijos mortais e a disposição por morrer de amor. Qual a relação? Justiça amorosa? Mistério...

  • Às vezes rola muito drama para pouca consistência. "Unstable" é daquelas faixas climáticas com melodia que vai do nada ao lugar nenhum e deixa a dúvida: Ele está cantando para uma namorada, para uma psicóloga ou para Deus?

  • A ala do drama individual tem até coisas legais como "Hold on", pop autoajuda chiclete, mas versos como "Comprei um castelo na França / É o mesmo que fiz na areia quando tinha dois anos", de "Loved by you". O pobre garoto rico consegue esfriar uma faixa com voz de Burna Boy, o pungente nigeriano.


Justin Bieber na capa de 'Justice', seu sexto álbum — Foto: Divulgação

"Lonely", última faixa, eleva ao máximo o drama do milionário privilegiado - a produção de Finneas e Benny Blanco já é privilégio . Ali dá para ouvir um sentimento mais real, na voz e na letra:


"Talvez seja o preço a pagar / pelo dinheiro e a fama com pouca idade / e todo mundo me viu doente / e eu sentia que ninguém dava a mínima / eles criticavam as coisas que eu fazia como um garoto idiota / O que você faria se tivesse tudo / Mas ninguém para ligar?".

Finalmente, no meio do arranjo eletrônico esquisito e hipnótico, tem um drama de verdade - ainda mais com a referência à saúde após ele revelar o diagnóstico da doença de Lyme.


Se o disco partisse de "Lonely" em vez de acabar com ela, talvez fosse a um lugar melhor. Ou talvez pudesse partir de "Love you different", com clima leve que lembra o Bieber moleque do seu melhor álbum, "Purpose" (2015).


Mas ele fica longe da sua obra-prima. Justiça seja feita, é bem melhor que "Changes" (2020). Até porque, na era dos protestos antirracismo e da pandemia, não ia colar um refrão pueril tipo "yummy, yummy, yummy". Ele até leu bem o ambiente, mas é difícil não condenar a invasão forçada de "Justice".


Créditos: G1



Ouça o álbum na sua plataforma favorita, clicando aqui.




10 visualizações0 comentário
whatsapp-logo-1.png
Email Branco.png

canais oficiais

Icone Instagram branco-03.png
Youtube Branco.png

™ JAZZ MANSION. All rights reserved