A primeira banda de Afrobeat no mundo formada somente por mulheres negras é brasileira

Atualizado: Mai 31

O Funmilayo Afrobeat Orquestra, que seria a atração principal da última Jazz Mansion, gravou seu primeiro single no projeto 'Escuta as Minas' do Spotify


Foto: José de Holanda

A 22ª edição da Jazz celebraria o mês da mulher, em março, com um line up feminino e por conta da pandemia do novo Coronavírus, o evento precisou ser adiado. Uma das bandas já confirmadas para o evento, era o Funmilayo Afrobeat, que subiria ao palco para mandar seu som original e levar também sua mensagem de inspiração para que as mulheres negras ocupem cada vez mais espaços na arte, na política, ou onde elas quiserem.


Cartaz oficial da edição #22 da Jazz Mansion SP

O projeto de 11 mulheres negras surgiu da aflição da cantora e saxofonista Stela Nesrine e da trompetista Larissa Oliveira, ao perceberem que não existia no Brasil um grupo de afrobeat formado e idealizado por mulheres negras. Criado pelo Fela Kuti, multi-instrumentista nigeriano, o estilo musical é de origem negra e predominantemente masculino desde sua origem. A junção de jazz, soul, funk, highlife e ritmos tradicionais africanos é a matriz para o afrobeat, que tem ainda como característica as percussões tradicionais, o ritmo dançante, os momentos de improvisação e os vocais que surgem após vários minutos das longas músicas.



Diante do desafio, Stela e Larissa começaram a somar forças com outras artistas que abraçaram a ideia. Assim nasceu o Funmilayo Afrobeat Orquestra: com Sthe Araújo e AfroJu na percussão, Ana Goes no sax tenor, Suka Figueiredo no sax barítono, Priscila Hilário na bateria, Bruna Duarte no baixo, Jasper na guitarra, Rosa Couto nos vocais e bloco sonoro e Tamiris Silveira nos teclados. As artistas tem origens musicais distintas, algumas vieram da fanfarra, outras da música erudita e de conservatórios de música. Além do próprio Fela Kuti, a banda traz como principais influência nomes brasileiros como Elza Soares e as contemporâneas Bia Ferreira, Luedji, Xênia França e Jussara Marçal.


Show histórico da banda em uma das últimas edições da Afrojam SP

Outra mulher negra a ser inspiração para o Funmilayo Afrobeat é Marielle Franco, a vereadora assassinada no Rio de Janeiro em 2018, virou tema da música 'NegrAção”, o primeiro single da banda lançado nas plataformas digitais no Dia da Consciência Negra, 20 de novembro. Ele foi gravado na Casa 'Escuta as Minas', um projeto feito pelo Spotify em prol de facilitar a troca e as conexões entre artistas em início de carreira com produtoras que já conquistaram espaço no mercado, grandes nomes da música nacional, as madrinhas, e toda uma rede para apoiar novos talentos em diversas áreas da indústria.



Uma curiosidade muito importante para história da banda, é que o nome dela foi escolhido como homenagem a Funmilayo Anikulapo Kuti, uma das ativistas mais importantes da Nigéria e mãe do fundador do afrobeat, Fela Kut. Bere (como era conhecida), foi uma professora proeminente e liderou a luta das mulheres por liberdade, pelo direito ao voto e por justiça social.


Para quem quiser acompanhar a banda, sigam as minas em @funmilayoafrobeat e ajudem elas dando muito stream no single pelo Spotify. Vida longa ao Funmilayo Afrobeat!


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