Entre flauta e gaita, Anamaría Oramas encontra um instrumento para sua própria música

Luis Pérez / Wikimedia Commons · CC BY 2.0 · Origem.
Um instrumento pode carregar uma pergunta sobre a própria música. Para a flautista e compositora colombiana Anamaría Oramas, essa busca passa pela gauta, que aproxima elementos da flauta transversal e da gaita. A combinação apareceu no álbum Muntu, de 2019, e ajuda a apresentar uma trajetória que não cabe apenas na etiqueta de jazz.
Em entrevista a Mariel Abanes, publicada pelo The Korea Times em 5 de outubro de 2026 e atualizada no dia 6, Oramas falou de formação e criação antes de suas primeiras apresentações no leste da Ásia. Esta matéria retoma temas daquele encontro, com crédito à reportagem de origem. Leia a entrevista.
Uma formação feita de aproximações
Oramas conta que chegou a considerar o violino antes de seguir pela flauta. A história de formação aparece junto da convivência com tradições colombianas. Em sua música, referências indígenas, africanas e europeias entram em contato com a improvisação e com o repertório contemporâneo.

Luis Pérez / Wikimedia Commons · CC BY 2.0 · Origem. Exibição redimensionada, sem cortes.
A gaita tradicional associada à Sierra Nevada de Santa Marta é uma das entradas para esse universo. A fotografia que acompanha o texto mostra gaiteros em um festival colombiano, em 2008. É um registro do contexto do instrumento, não um retrato de Oramas nem uma imagem da gauta.
A criação também passa pelo grupo
Na entrevista, a compositora fala de uma convivência musical construída ao longo dos anos. Santiago Sandoval, Kike Narváez e David Cuervo aparecem como parceiros de sua formação na Colômbia; encontros em jams fazem parte desse percurso. A circulação pela Coreia inclui outras colaborações.
Vídeo da artista também incorporado na reportagem do Korea Times. Uma porta de entrada para a obra, anterior à turnê anunciada para outubro.
Anamaría Oramas · Assistir no YouTube · Fonte da indicação
É uma informação que ajuda a deslocar o foco do instrumento isolado para a prática coletiva. Um novo timbre se torna música também pela forma como encontra guitarra, baixo e bateria. O nome da gauta chama a atenção, mas o diálogo do grupo é outra porta para acompanhar o trabalho.
Uma proposta de escuta
No vídeo de “Muntu”, incorporado abaixo, procure acompanhar a linha do sopro e a resposta dos demais instrumentos. Em seguida, ouça novamente uma passagem sem olhar para a tela. Essa alternância permite comparar o que a imagem destaca com o que se percebe apenas pelo som.
O exercício não exige separar cada influência da composição nem atribuir uma origem a cada frase. Pode ser mais produtivo reconhecer as referências apresentadas pela artista e deixar que o encontro entre elas conduza a curiosidade.
A passagem por Jarasum, em outubro, já apareceu no nosso radar de jazz. Aqui, o foco está na criação e na formação musical reveladas pela entrevista. A agenda coloca Oramas em circulação; a conversa oferece um caminho para chegar à sua obra além de uma única apresentação.






