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JAM #41 · 23 de março de 2021

Pretos no topo!

Em terra de Beyoncé, toda Blue Ivy merece ter coroa e Grammy

Abertura por Loris

Edição de 2021. Alguns links levam a eventos que já aconteceram ou a páginas que mudaram de endereço.


O Art & Jazz foi adiado para 30 de abril (Dia Internacional do Jazz) em virtude das novas restrições em São Paulo.


Destaques


Olá, Loris aqui!

Faz uma semana desde que Beyoncé se tornou a primeira mulher com mais Grammys do mundo e a segunda maior vencedora viva do prêmio, empatando com o gigante Quincy Jones. Eu ainda nem sei muito o que falar. 79 indicações depois, Beyoncé chegou a marca de 28 prêmios. Vinte e oito. Sendo 18 deles só em categorias urbanas.

Nina Simone, Aaliyah, Aretha Franklin, James Brown, Tupac, Michael Jackson, Prince, Jimmy Hendrix, The Weekend, Snoop Dog, Nas, Kanye West, Jay Z, Bob Marley, Frank Ocean e a lista não tem fim. Algo em comum entre esses nomes acontece: ou nunca reberam sequer uma indicação ou foram boicotados de ganhar o prêmio. Em uma das entrevistas do Tyler, the Creator, após ganhar o Grammy na categoria de Melhor Álbum de Rap (por IGOR), ele fala muito sobre o que eu sinto sobre isso tudo:

"Por um lado eu estou muito grato que o que eu fiz pode ser reconhecido em um mundo como esse… mas é péssimo que sempre que nós, e eu quero dizer caras que se parecem comigo, fazemos alguma coisa que transcende gêneros ou coisa assim, eles sempre colocam em alguma categoria urbana ou de rap. Eu não gosto dessa palavra ‘urbana’. Pra mim, é só uma forma politicamente correta de dizer a palavra com ‘n’ [em referência a ‘nigga’, termo em inglês racista quando usado por não-negros]. Então quando eu ouço isso, eu fico tipo, por que a gente não pode ser indicado pra categoria pop? Então eu fico tipo — metade de mim acha que a nomeação de rap é um elogio ambíguo."

Nessa mesma semana, Viola Davis e Andra Day foram indicadas ao Oscar de Melhor Atriz Principal. A primeira e última vez em que duas mulheres negras concorreram juntas nessa mesma categoria foi em 1973. Eram elas Cicely Tyson e Diana Ross (inclusive interpretando a Billie Holiday, mesmo papel da Andra).

Fiz um post na Jazz com as fotos deslumbrantes de Zendaya e John David Washington, vulgo Malcolm e Marie (Netflix). O ensaio foi feito para a revista W Magazine e uma das coisas mais poderosas dessa entrevista é a frase da Zendaya sobre o ensaio: “Dois atores negros neste cenário parecem reescrever a história de uma maneira elegante, como uma espécie de Old Hollywood que gostaríamos que existisse nessas fotos. É quase como consertar um erro".

É verdade, Zendaya, é urgente que possamos consertar esse erro. Ou pelo menos tentar reparar o buraco gigantesco que o racismo preencheu na história da música, do cinema e na própria história.

Creio que pra isso uma borracha não sirva. Apagar não é a palavra. O conserto se dá no ir além: prestigiar, dar espaço, ressignificar e promover. Inverter a ordem é essencial! Pretos no topo. É isso o que precisamos!

Todos os nomes do jazz, do R&B, do blues e do rap, premiados pelo Grammy esse ano estão numa playlist lindona. Conheça, ouça e 'espalhe a palavra' da black music. Além disso assista aos filmes que contam a história de artistas pretos, ou que foram produzidos/estrelados por produtores, diretores e atores pretos também.

Por fim, acesse o perfil @lovemusichateracism_br para saber como se engajar nessa campanha incrível. O 'Love Music Hate Racism' é um movimento que surgiu no Reino Unido de artistas e comunidades contra o racismo.

Esse é o poder da resistência.

Como diria Emicida, tudo o que nóis tem é nóis!


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